terça-feira, 6 de maio de 2014
Umas viagens e umas portâncias,
me parece que estiou minha capacidade de escrever em versos. Não ando escrevendo poesia, nem prosa. Não tenho me dado com as palavras a este nível, e no entanto minha arrogância ainda se atreve a dizer quando a palavra dos outros é bem dita ou não. O que tem me movido é o som. O movimento em si é sempre acompanhado de som. Vez ou outra também imagem. Mas é como se o som, tivesse substituído minha poética. Na volta de Santiago, das coisas que mais me marcaram posso dizer: dos sofás abandonados, de ponta-cabeça, em terrenos baldios a beira da estrada, à caminho do aeroporto. Numa van transfer ou num taxi de alta classe, e este foi o momento mais luxuoso de toda a viagem, e um velhinho simpático. Imagem silenciosa mas acompanhada de boa música no rádio a vidros fechados, e um dia querendo morrer. Os sofás quase sempre em bom estado, sensações de abandono e de um lugar que poderia repousar nos parques. Uma alusão a recepção callejera. Ou mesmo do couchsurfing desnecessário. Mas eu estava num carro, em movimentos rápidos, e perdia a imagem em segundos, mas eram muitos, muitos sofás. Espaçados, distantes. Em gramados. Por toda estrada.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
Acordar segunda
Talvez a coisa mais linda de se ver
numa segunda-feira de manhã.
numa segunda-feira de manhã.

Ligeiro frio
e silêncio
bem queira
passe
um
carro.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Algo próximo de um relato
Por todo o dia o céu chorou a voz da lua.
Que por não vê-la nada queria mostrar,
aguardando que chegasse
na porta da noite às seis e vinte a sua entrada.
Não por outra coisa o céu se abriu,
não todo, na sua esquina mais madrugada.
Nem estrela, nem sol.
Era ela, a mais amarela,
abrindo as nuvens em sua mirada.
E o céu parou suas dores
fazendo cinza também a noite.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
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