terça-feira, 16 de maio de 2017

Cores dos cerreños - Redobles por Rancas

De los Diversos Colores de Las Caras y Cuerpos de los Cerreños
Obra de Manuel Scorza

Seis minutos antes do meio-dia do 14 de março de 1903 mudou, pela primeira vez a cor das caras dos cerrenhos. Até então os felizes habitantes da chuvosa Cerro de Pasco ostentavam rostos acobreados .Esse meio-dia seus rostos mudaram: um homem emergiu de uma cantina onde bebia aguardente de cobra com a cara e o corpo azuis, ao dia seguinte outro varão que se embriagava na mesma cantina, luziu o verde, três dias depois um homem de rosto e mãos alaranjados passeava pela praça Carrión. Faltavam poucos dias para o carnaval e se pensou que eram candidatos a ocupar o lugar de diablos-supay, mas os carnavais passaram e a gente seguiu mudando de cor.

Cerro de Pasco é a cidade mais alta do mundo, suas ruelas se retorcem a altura maior que os montes mais elevados da Europa .É uma cidade onde chovem duzentos dias ao ano. O dia se entreabre sobre uma cerração. Cerro de Pasco se acucuruca ao final da pampa de Junín. Para os mesmos motoristas encolhidos em cachicóis até os olhos, a pampa é um mal pedaço. Todos os caminhoneiros colam em seus parabrisas estampas da Beatinha de Humay: lle encomendam seus motores. Não pode ser que lhes falhe nesta estepe perpetuamente polida pelas geadas; nesta pampa onde o soroche, o mal de altura fulmina a tantos costenhos! Os viajantes que conhecem essa desolação vigiada pelo olho zeloso do lago Junín se benzem assim que desembocam dos rochosos desfiladeiros de La Oroya. Virgem Maria, Protetora dos caminhantes, ampara-nos! Santa Tecla, Protetora dos peregrinos, rogai por nós! Rezam, verdes pela falta de oxigênio, apertando os limões inúteis contra a anoxia. Nem os colares de limão nem as orações servem na estepe sem árvores. Porque os que não viajam a Huánuco não conhecem árvores nem flores, nunca as viram; aqui não crescem. Só o pasto baixinho desafia a cólera dos ventos. Sem esse pasto, ninguém viveria. O pajón é o alimento dos rebanhos de carneiros, única riqueza. Milhares de ovelhas ramoneam na pampa até as três da tarde. Às quatro, cai a guilhotina da escuridão. O entardecer não é o fim do dia senão o acabamento do mundo.

O que traz os homens a esta capitania do inferno? O mineral. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

fuchsia









Minha fascinação tardia da flores.

Talvez essa seja a mais interessante,
pela sua forma, disposição e as tonalidades.

Essas tonalidades trazem lembranças e lugares.

Fuchsia ou brinco de princesa.
































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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Não dá para escrever

tenho até vergonha de postar aqui.




a felicidade é péssima musa inspiradora.


Cream - Sunshine of Your Love

Miles Davis
(ahead)
https://www.youtube.com/watch?v=nK8JlTlhnjw

domingo, 10 de abril de 2016

Corda de flores


foto da OPEF - Orquestra Pernambucana de Fotografia







[Faz que vai, e não vai.]

- Faz que vai, faz...

sábado, 9 de abril de 2016

violência intangível

 a ensejo e mote da Rainha que sorri.


nos contrários, a violência, intangível.

primeiro entre ele e eles.


[fogo e vidro]



depois, entre eu.




[visão e água]

um tempo há guardado - Autumn

https://www.flickr.com/photos/-dust-bunny-/21427916411/


Extrangeiro

Numa botilleria de uma ciudad extranjera,
sentado a mesa eu escrevia.
Não me reconheciam as pessoas.
Ali ninguém sabia
           quem eu era e aliás diziam
           que até falava bem a sua língua.

No entanto, me transfiro, teleporto
           para lugar e tempo presente:
eu sou o poeta foraneo,
de terras distantes, sentado aqui nessa mesa.
Eles não me conhecem,
           mas conheço a cada um,
minhas lentes dissecam, radiografam:
pessoas sentam, passam, cessam,
           traduzo cada conversa.
Sei seus destinos e energias.
Sei delas como se fossem minhas personagens,
           e suas perecíveis poesias.

2014



Em seis meses volta a reverberar
meio giro já consolida meias verdades

mas na hora e na vez do inimigo
os aliados que surgem ao meu lado
são aqueles já muito pisados



me dizem que sumi
eu só sorrio e confirmo
digo que sim
e eu vou sumindo, sumindo
até que desapareça

espero que sem nem sangue.

2015


Nº da página aberta



Me pergunta por que te pergunto

Pergunto à exaustão

O que tem por detrás do teu rosto

Não pela beleza que admiro

Mas porque seu rosto

com todos seus adereços

Nariz, olhos, brincos e a boca

principalmente a boca

estão sempre na iminência

a estática iminência

da palavra, do sorriso

ou da angústia

A todo tempo me supreende

o que esteve alí, na minha frente

frente ao silêncio

2015










La brujeria de las Brújulas

la rosa amada de los vientos
con sus agujas que no se pierden.

la intención inolvidable

centra en si
y siempre sabe donde está su corazón,
la brújula no apunta el norte,
su hechizo se queda en apuntar a si misma, donde se queda.

Orienta, no lo que se debe
              pero lo que se desea.
Esta tierra, o este-sur, o su pareja.

desde entre la danza vertiginosa
                  y el mareo circular
Su racionalidad cardenal.

entre mente-corazón és la brújula quién le opera
és el punto de encuentro.
instrumento de la voluntad.

Nunca se pierde de quien donde se quiere,
ella sabe donde tu estás.

2016


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Três morillas de Jaén

Ninguém me tira da cabeça que as três morillas são as linhas judaica, islâmica e cristã em convivência harmoniosa.
Axia, Fátima y Marien.

Este Zájal, que canta a cidade de Jaén no que foi Al-Andalus, é de autoria anônima, no entanto é disputado por judeus sefarditas, cristãos medievais e árabes andaluzes (in memoriam) como representante de sua cultura.





Embora o Alcorão vete o uso de amuletos, a hamsá é facilmente encontrada entre seguidores do Islão. Os muçulmanos a associam aos cinco pilares do Islão, e também a chamam de mão de Fátima, sendo Fátima a filha preferida de Maomé. Notadamente, a hamsá aparece, junto com outros símbolos islâmicos, o emblema da Algéria.

A hamsá também é popular entre os judeus, especialmente os sefarditas. Os judeus inscrevem textos em hebraico, como a Shemá Israel, nas chamsás e também as chamam de mão de Miriam. Miriam, no caso, foi a irmã de Moisés e Aarão. O símbolo também é associado ao Torá, que é composto de cinco livros.



Atualmente, defensores da paz no Oriente Médio têm usado a chamsá. O símbolo lembraria as raízes comuns do judaísmo e do islamismo. Nesse caso, não seria mais um talismã contra o mau-olhado, mas um símbolo de esperança de paz na conturbada região.



 
saudades